sábado, 16 de julho de 2011


Aconselho que fechem os olhos – Parte III


Meu medo tinha medo de mudar de nome e eu esquecê-lo, desse jeito ele se fazia lembrar em todos os momentos. Tudo poderia ser chamado de medo, covardia, imutabilidade, pesadelos, repetição... Me via sentada por vários momentos do dia, mesmo sem agüentar, cansada da mesma posição, não levantava, pois todos estavam sentados.
Levantei os braços e comecei a bocejar, não podia fechar os olhos, vigiava se alguém via minhas caretas, rapidamente abaixei os braços e coloquei as mãos no rosto.
Se o medo me acuar, eu não posso revidar, sou fraca demais pra opinar.
Se o medo reviver, jamais irei vencer, prefiro me fazer morrer.
Abri a janela, era 1h30min da madrugada, minha mãe tinha feito a mala, ela ia viajar, e mais uma vez em casa eu ia ficar, com medo de alguma coisa mudar. Os carros estavam parados, a avenida estava calma, as unhas já ruídas, a luz do computador cegando lentamente... tinha resquícios na cabeça, do ultimo episódio lançado que semanalmente eu via de um seriado, olhava para os lados, esperando que as coisas estivessem no mesmo lugar.
Eu queria mudar, com as coisas no mesmo lugar. Eu queria mudar as coisas, e continuar a mesma. Eu queria me mudar junto com as coisas. Eu queria que tudo permanecesse igual. Eu quero confiar, mas tenho medo de me decepcionar. “Oh! Isso faz parte da vida, minha querida.” “Me metalizarei então, nada vai me abalar!” “Medrosa!” “Não, eu não sou, essa sou eu, eu sou assim e pronto! Não me questione!” “Medrosa!” “Não! Eu não sou!” ”Então, qual foi a coisa mais louca que você já fez?” “Que?” “Qual foi a coisa mais louca que você já fez?” “Fui feliz!”

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