sábado, 16 de julho de 2011


Aconselho que fechem os olhos – Parte II


Era segunda-feira, você veio até minha casa trazendo seu sorriso e usando as melhores intenções. Aquela era semana de prova, e precisávamos estudar, você para saber lidar, e eu, para Biologia.
O barulho do carrinho de churros me irritava por mais um dia, aquela musica da Xuxa me fazia fechar as janelas em pleno verão.
“Oi, bom dia, posso te tocar?”
Andei pela casa tentando não te olhar. Aquele dia ia ser difícil arrumar mais uma desculpa, ou ... mais alguma desculpa.
Peguei um copo d’agua. Queria entrar dentro dele, e me beber. Olhei para o sofá, você ainda estava lá. “Oi, bom dia, posso te tocar?”
Respirei fundo, maquiei meu melhor sorriso, e fui ao teu encontro. “Oi, bom dia, você está com fome?” “Oi, bom dia, posso te tocar?”
Minhas pernas não paravam de balançar, estava ansiosa por aquele momento, e ao mesmo tempo não queria. Minhas notas não eram tão ruins, no semestre seguinte já tinha fechado no segundo bimestre. “Oi, bom dia minha Querida, posso te tocar?”
Quando eu olhei minha respiração já era a sua, e nossos livros não se desgrudaram. Odiava marionetes, ainda mais quando se tratava de você. Como pude deixar você entrar? Virei a pagina do livro, suas mãos procurava por desenhos, achou-os. “Oi, bom dia, posso te tocar?”
Eram apenas 2 meses te enrolando, eu não sabia o por que eu te fazia bem, mas eu não sentia a mesma coisa por você.
Virei a pagina novamente, naquele livro tinha que ter alguma frase que ia me ajudar a me sair bem na prova. Faltavam duas horas.  “Oi, eu posso te tocar? Oi, eu posso te tocar? Bom dia!!!” Dei a resposta certa, para a pessoa errada. Ainda faltavam algumas questões, já que tinha que terminar a avaliação, que fosse rápido. Peguei a matéria e a respiração, me sentei. “Bom dia! Bom dia! Bom diia!” “Quem mandou você ser Cleptomaníaca de corações? Vai provar do próprio veneno, sua idiota!” “ Não, claro que não, impossível, um amador, nunca cai nas suas próprias armadilhas.” Eu deveria estar no espaço sideral, viajando, como uma astronauta, queria poder responder aquilo. Não podia te olhar. Eu não ia colar. “Provas são sempre iguais não? Não. Depende de quem a aplica, se ela te deixa confortável e confiante, ou não.”  “Bom dia, My Darling! Bom dia!” Eu estava desesperada, eu não tinha estudado para aquilo. Poderia acabar logo meu tempo. Me segurei, cruzei os dedos, o sinal bateu.  “Tenha um bom dia”


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