Macário: Amo - amo sim. Passei toda esta noite junto ao seio de uma donzela, pura e virgem como os anjos.
Penseroso: Que tens? Cambaleias. Estás ébrio?
Macário: Ébrio sim-ébrio de amor-de prazer. Aquela criança inocente embebedou-me de gozo. Que noite! Parece que meu corpo desfalece. E minha alma absorta de ternura só tem um pensamento-morrer!
Penseroso: Amar e não querer viver!
Macário: Ela é muito bela. Eu vivi mais nesta noite que no resto de minha vida. Um mundo novo se abriu ante mim. Amei.
Penseroso: Não é verdade que a mulher é um anjo?
Macário: Sim-é um anjo que nos adormece, e nos seus braços nos leva a uma região de sonhos de harmonias desconhecidas. Sua alma se perde conosco num infinito de amor, como essas aves que voam à noite, e se mergulham no seio do mistério.
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