domingo, 16 de outubro de 2011

Equilibrista na corda bamba do amor*



Era o vigésimo espetáculo do ano e o centésimo desde que o Don Benê havia montado o “Circo Rêverie”, havíamos planejado um apresentação deslumbrante, e deveria ser a melhor que todos já teriam visto.
Desce pequena eu adorava alturas, ver o mundo de cima sempre me dava novas idéias e emoções.
As luzes se apagaram, me posicionei ao lado da corda embaixo do trapézio que estava em cima do centro do palco. Tentei olhar para alguma estrela no céu, pela única fresta aberta da lona, respirei e comecei a subir. Primeiro força nos braços, depois nos pés, braços, coxas e pés...  Alcancei o trapézio após repetir isso algumas vezes. Haviam colocado uma musica de fundo, mas eu não conseguia ouvi-la ainda, estava concentrada demais. Apoiei a parte de trás dos joelhos no trapézio e logo fiquei de ponta cabeça, estendi os braços para baixo e segurei os de Mel que subia que mesma corda que eu estava há segundos atrás. Puxei-a, fazendo com que ela ficasse em pé, rapidamente ela me puxou, nossos olhos se encararam. Comecei a fazer impulso para que o objeto se movimentasse como uma balança. Estendi os braços o máximo que eu consegui e me joguei no outro trapézio que tinham jogado.
Nossas roupas eram feitas com fibras e borrachas resistentes, com as laterais de néon. Minha cor era a violeta, por tanto lá, sempre me chamavam assim: - “Violeta”. Quase não me recordava qual era o meu nome de batismo, mas nos colégios sempre faziam questão de lembrar na hora da chamada.
Mel me segurava com uma das pernas, enquanto eu me posicionava para a dança trapézica.
O que a gente fazia ali em cima era mais do que uma apresentação, era um jogo de cuidado, respeito, força, determinação, mas a cima de tudo: coragem e amizade, se faltasse alguma coisa, com certeza não daria certo. Por isso sempre escolhiam muito bem as ações e ensaiávamos muito para não sair nada errado.
Muitas vezes aquelas luzes multicoloridas me irritavam a vista, mas ali que entrava a parte do “foco” que o Don Benê sempre ensinava para todos. Não era qualquer um que poderia entrar no circo para se apresentar, o Circo é nossa casa, nossa vida, nossa alma e nosso coração. Eu sentia orgulho de poder fazer parte de toda aquela alegria, poder ser e fazer alem do que eu imaginava que podia. 


(tentativa um)

Nenhum comentário:

Postar um comentário