quinta-feira, 12 de maio de 2011

Manu, a menina que sabia ouvir...

"Não é que Manu desse tão bons conselhos, ou sempre encontrasse as palavras certas para dizer. Não é que ela divertisse o pessoal, cantando, dançando, ou tocando algum instrumento. Não é que ela tivesse poderes mágicos, ou lesse a mão, ou enxergasse o futuro.
O que Manu sabia fazer melhor do que qualquer outra pessoa, era ouvir. Não é coisa que qualquer um pode fazer. E a maneira como Manu ouvia era realmente fora do comum. Manu ouvia de um jeito que fazia as pessoas burras terem idéias inteligentes. Ela não dizia, nem perguntava, nada que pudesse pôr tais idéias na cabeça das pessoas: ela ficava simplesmente ali sentada, ouvindo com atenção e simpatia. E fitava a pessoa com seus grandes olhos negros, dando-lhe a impressão de que as idéias que surgiam haviam nascido espontaneamente.(...)
Era essa a maneira de ouvir de Manu."




__ Você disse que seu nome é Manu, não foi?
__ Disse.
__ É um nome bonito, mas de que eu nunca tinha ouvido falar. Quem deu esse nome a você?
__ Eu mesma.
__ Você mesma? . . .
__ É.
__ Quando você nasceu?
Manu pensou um pouco, e afinal disse:
__ Acho que eu sempre estive aqui.